INSERÇÃO DE CULTURAS ALTERNATIVAS PARA A GERAÇÃO DE RENDA

Incentivando a adoção de culturas alternativas e tecnologias agrícolas que aumentem a variedade de produtos oferecidos ao mercado e diminuam a interferência dos preços de mercado nas lavouras que adotam a monocultura, a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) tem buscado parcerias e acordos de transferência de tecnologia interna e externa no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco. No perímetro de irrigação pública do Governo do Estado de maior volume de produção, a empresa insere novas espécies e com isso cria novas possiblidades de negócios para esses produtores irrigantes gerarem a renda familiar.

Uva

Uvas produzindo em Canindé [Foto: Fernando Augusto]
Fruto de um acordo de transferência de tecnologia firmado entre a Cohidro, Companhia dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Petrolina-PE (Embrapa – Semiárido), em dezembro de 2016, quatro produtores irrigantes do Alto Sertão Sergipano iniciaram o cultivo dos seus campos experimentais das variedades cujo fruto pode ser destinado para produção tanto de suco como vinho, totalizando 2.700 pés. Sendo 2.400 mudas da variedade de uva BRS Isabel Precoce e 300 da BRS Violeta. Dois campos de 0,5 hectares no Perímetro Irrigado Califórnia, do Governo do Estado, e outros dois no Perímetro Irrigado Jacaré-Curituba (Poço Redondo), mantido pela companhia federal.

 

Pera

[Foto: Fernando Augusto]
Um ano depois, um quinto campo experimental foi introduzido pelo mesmo convênio no perímetro Califórnia, com quase 400 pés de pera. A variedade Triunfo ocupa mais da metade do pomar, enquanto as variedades Princesinha e Santa Maria ocupam o resto do cultivo. As pereiras estão no lote do irrigante Ozeias Bezerra, enquanto as videiras, nos lotes de produtores Levi Ribeiro e José Leidison. Nos dois primeiros anos de convênio, os agricultores só entram com a área e a mão de obra, enquanto as mudas, sistema de irrigação, estaqueamento, adubos, insumos que utilizados para desenvolver a planta e acompanhamento técnico, é fornecido pela Embrapa. Na etapa inicial, as companhias estadual e federal, mantem o fornecimento de água de irrigação nos lotes que abrigam os projetos pilotos e complementam a assistência dada pelo convênio.

No caso da Cohidro, desde antes do convênio houve a preocupação de preparar também os seus profissionais para orientar os fruticultores após o término do convênio, tanto que antes e depois da chega das mudas, algumas viagens técnicas foram feitas até a unidade da Embrapa no sertão pernambucano. Levando técnicos agrícolas da empresa estadual e os próprios irrigantes, a terem acesso às áreas de cultivo em estágios mais avançados do que os lotes sergipanos. O mesmo acompanhamento técnico sempre se deu nas visitas técnicas dos engenheiros agrônomos e técnico agrícolas de Petrolina, em visita à Sergipe.

 

Suco e vinho

Pesquisador da Embrapa Semiárido Antero Ferreira [Foto: Fernando Augusto]
Hoje, com os parreirais caminhando para uma sexta colheita e os pomares de pereiras para a segunda, os campos estão consolidados. Tanto que as três empresas públicas e a Cooperativa de Fomento e Comercialização do Perímetro Califórnia (Coofrucal), em março de 2020 realizaram o ‘Dia de Campo sobre a produção de suco e uva’, para fazer um balanço do projeto e introduzir aos viticultores as técnicas de processamento do suco de uva integral. Mas antes disso, as uvas de Canindé já serviam de matéria prima para vinhateiro em Aracaju, que há mais de um ano produz vinhos das uvas sergipanas.

 

Palma e gliricídia

Palma exige a irrigação somente uma vez por semana [Foto: Fernando Augusto]
Agricultores irrigantes atendidos pela Cohidro em Tobias Barreto e Canindé estão entre as mais de 3 mil famílias que serão beneficiadas com sementes da palma forrageira Orelha de Elefante e mudas de gliricídia, para criar campos de produção consorciada. As espécies servem de ração para o gado leiteiro, vocação produtiva das duas regiões. Em agosto, no Perímetro Irrigado Jabiberi, foi dado mais um passo do Projeto Sergipe de Combate à Desertificação, fruto da parceria entre o Governo de Sergipe, Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A execução fica por conta da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), tendo na ponta a expertise técnica da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário (Emdagro) e da Cohidro, que gerencia o Perímetro.

 

Balde Cheio

Gado de leite criado pelo sistema Balde Cheio no perímetro de Canindé [Foto: Fernando Augusto]
Em junho de 2017, gerência, técnicos agrícolas e agricultores irrigantes do Califórnia, foram até a unidade o Perímetro Irrigado Jabiberi, em Tobias Barreto, conhecer o programa ‘Balde Cheio’ de produção de leite introduzido lá pela Cohidro, empresa que administra ambos polos irrigados. Depois disso, vários passos foram dados para que a transferência de tecnologia do sistema se tornasse realidade. Resultante dessa troca de informações, no Alto Sertão foi criado um projeto piloto para novos micro-pecuaristas repliquem e organizem seus próprios piquetes, pasto e melhorem a alimentação de seus rebanhos.

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