Projeto Opará capacita agricultores e técnicos da Cohidro em Canindé para Recuperação de Áreas Degradadas

Volume adequado de água na irrigação e manutenção dos drenos na lavoura evitam que a salinização torne as áreas improdutivas

Em Canindé de São Francisco, o Projeto Opará – Águas do Rio São Francisco reuniu técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe – Cohidro e agricultores do Perímetro Irrigado Califórnia em um curso de Recuperação das Áreas Degradadas. Após a realização da parte teórica do curso no escritório do perímetro, o grupo partiu para a prática, no Perímetro Irrigado vizinho, Jacaré-Curituba (Codevasf), onde os especialistas do projeto realizam um experimento inédito de controle de áreas afetadas pela salinização do solo por uso da irrigação.

O curso foi ministrado pelos professores Antenor Aguiar e Airon José da Silva, do Departamento de Engenharia Agrônoma da Universidade Federal de Sergipe – UFS, instituição parceira do Projeto Opará, que é realizado pela Sociedade Socioambiental do Baixo São Francisco Canoa de Tolda com patrocínio pela Petrobrás, por meio do Programa Petrobrás Socioambiental e o Governo Federal.

Segundo o professor Antenor, a atividade teve a importância de mostrar aos agricultores do perímetro uma experiência científica de recuperar solo salino sódico em lote irrigado no semiárido. “Foi realizado um experimento de lixiviação de sais, por meio de irrigação por inundação intermitente, com adição de gesso e matéria orgânica”, explicou Antenor, que coordena o Opará e orienta o mestrando do programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos da UFS, Samuel Barreto. Professor e aluno colocam em prática o experimento, com técnicas de recuperação de solos afetados por sais, em área irrigada no Jacaré-Curituba, como parte do estudo de pós-graduação.

O diretor de Irrigação e Desenvolvimento Rural da Cohidro, João Fonseca, acredita que o trabalho de recuperação de solos salinos, realizado pelo Opará no Jacaré-Curituba, pode vir também a ser aplicado ao perímetro da Cohidro. “A partir desta apresentação, está surgindo uma possibilidade de trabalharmos em conjunto no perímetro Califórnia, que também tem algumas áreas já salinizadas”, conta. O diretor, que também participou do curso, reforça a importância da irrigação ser realizada da maneira correta para evitar a salinização dos solos. “Precisa também que a água seja aplicada na quantidade correta através do sistema de irrigação, e que os drenos de todo projeto estejam funcionando a contento, para evitar a salinização dos solos”, completou.

A aula teórica que precedeu a prática incluiu informações das técnicas de recuperação e controle de solos salinos aplicadas pelo projeto. Em seguida, os participantes conheceram em campo as atividades de recuperação, nos experimentos de lixiviação de sais e com o plantio de atriplex ou “erva sal”, como forma de redução da salinidade do solo. A planta serve também como alimentação para o gado, o que permite à propriedade manter produtiva a área em recuperação. “A área experimental do projeto Opará obteve êxito na redução da condutividade elétrica e da percentagem de sódio trocável, indicando que é possível recuperar solos afetados por sais”, explicou Airon Silva, que coordena a pesquisa.

Gerlania Gomes auxilia o pai no trabalho e cuidados de um lote irrigado no perímetro Califórnia e também participou do curso oferecido pelo Projeto Opará. Na área da família são plantados goiaba, acerola, mamão, limão e quiabo e, já tendo havido a incidência de solo salinizado numa pequena parte do lote, ela considerou de grande utilidade o que aprendeu. “Foi muito proveitoso e é importante fazer outros cursos, para que mais produtores possam participar”, concluiu a agricultora.

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