Governo promove seminário para discutir uso indiscriminado de agrotóxicos

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Equipe da Dirir Cohidro no evento Terezinha Albuquerque (Gedea), João Fonseca (diretor), Mariane e Karla Betyna (estagiárias) – foto Stefânia Leal (Ascom/Cohidro)

O secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, representou o governador Belivaldo Chagas na manhã desta terça-feira, 18, no auditório do Hotel Radisson, em Aracaju, durante a realização do Seminário sobre “Procedimentos de Segurança no Controle de Vetores e Agrotóxicos”, que tem por finalidade alertar e sensibilizar a sociedade e gestores municipais para os cuidados com o uso indiscriminado dos defensivos químicos, além de incentivar políticas públicas de educação ambiental.

O evento representa mais uma ação do Programa Águas de Sergipe – coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) – no tocante aos cuidados com os agrotóxicos, cujo investimento é de quase R$1 milhão, via operação de crédito com o Banco Mundial, e tem como principais parceiras as secretarias de Estado de Saúde, de Educação, da Agricultura, além de outros intervenientes como a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) e Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

Nesse sentido, foi contratada a empresa STCP Engenharia e Projetos para mobilizar e capacitar os agricultores familiares que estão no entorno da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe em 26 municípios, além dos gestores municipais com o intuito de minimizar o uso desses agrotóxicos ou utilizá-los de forma responsável e consciente, sem agredir o meio ambiente, já que um ambiente natural contaminado gera riscos não somente à natureza, mas à saúde pública, como explica o gestor da Semarh.

“A Semarh tem uma ação voltada para a questão dos agrotóxicos dentro do Programa Águas de Sergipe, que é uma ação que buscamos fazer da melhor forma possível. Por isso, envolvemos, além da Semarh, as secretarias de Saúde, Educação e Agricultura. Estamos com essa ação voltada para trabalhar de forma centrada na Bacia do Rio Sergipe, que abrange 26 municípios e buscamos trabalhar com os agricultores, seus familiares, agentes de saúde e professores da zona rural para que possamos envolver ainda mais pessoas nesse longo processo de consciência da problemática dos agrotóxicos”, destacou o gestor.

Ainda segundo Olivier, existe uma cultura nociva dos usos dos agrotóxicos de forma aleatória, sem observar a legislação e o controle técnico. “Nós queremos passar para a sociedade, seja o agricultor familiar ou o que tem um maior negócio na agricultura, uma consciência de que o manejo desse produto precisa ser comedido. A ação de campo tem acontecido já há algum tempo e o governo contratou essa empresa especializada, a STCP, que tem o trabalho de fazer essa mobilização no campo, conversando com os agricultores, fazendo reuniões com as associações e cooperativas. Esse seminário serve para o estado inteiro”, reforça.

A secretária de Estado da Agricultura, Rose Rodrigues, também comunga da opinião de Olivier. Para ela, é muito importante disseminar informação dos malefícios que ocorrem com a aplicação dos defensivos químicos. “Eventos como esses, que alertam sobre os riscos desse produto, da importância de se usar equipamentos para o manejo, são importantes para mitigar os efeitos nocivos, desde a questão ambiental e de saúde pública. O papel do Estado é sensibilizar e construir informações seguras, tanto para o produtor, quanto para o consumidor”, avalia.

Quem também esteve presente foi João Quintiliano, diretor da Cohidro, o qual classificou o evento como “fundamental”. “É muito importante preparar e capacitar as pessoas que estão envolvidas no uso diário dos agroquímicos e agrotóxicos nas áreas dos perímetros irrigados administrados pela Cohidro e que a gente sabe que existe uso contínuo em função das exigências das próprias culturas e da questão econômica. Entendemos que o produtor precisa utilizar esses produtos quando aparecem pragas, mas eles precisam compreender a melhor forma de utilizar e, principalmente, qual produto utilizar”, disse, ao enfatizar a questão do descarte das embalagens que precisam ser feitas de forma adequadas.

Identificação
O vice-presidente da STCP Engenharia e Projetos, Joésio Siqueira, lembrou que o Governo identificou alguns problemas relacionados ao inadequado uso de material químico para a produção agrícola, em especial para a agricultura familiar.

“E isso estava trazendo problemas para a qualidade das águas da bacia do rio Sergipe. Visando conter essa situação, o governo procurou recursos do Banco Mundial para minimizar o uso desse material químico. É esse o trabalho que estamos fazendo. É um processo de gestão integrada, nós não estamos capacitando apenas os agricultores familiares para o adequado uso desses produtos químicos, mas sim aos gestores e grupos de técnicos do governo que lidam diretamente com a agricultura familiar”, afirmou.

O representante de uma cooperativa de agricultores familiares em Moita Bonita, José Joelito Costa Santos, disse que conscientizar as pessoas faz parte do processo de controle, mas ele pede cautela com relação à demonização dos agrotóxicos. “Entendemos que os agrotóxicos causam um impacto muito negativo no meio ambiente e precisa ser muito bem debatido, porque da mesma forma que algumas pessoas acham que ele é prejudicial, ele também pode ser um aliado do agricultor. O importante é a forma como a gente trata o tema. Não vejo o agrotóxico como inimigo, vejo como algo que deve ser melhor trabalhado para que ele possa, sim, ter a função a qual foi criado”.

Palestra
Durante o seminário, ocorreu a palestra da doutora em Saúde Pública Bárbara Geraldino. “O homem, há milhões de anos, se via na natureza como parte constituinte dela. E a agricultura era praticada de forma a não lesionar o meio ambiente, mas hoje esse meio em que vivemos é afetado diretamente pela ação do homem. Quando se fala em sobrevivência é, de fato, aquilo que precisamos apenas para sobreviver com todas as outras espécies”, expôs.

Participação
Participaram do seminário cerca de 400 pessoas, dentre as quais Márcia Feitosa, representante da SES; Pedro Santana, representante da Seed; Aparecida Andrade, representante da Emdagro; além de secretários municipais de Saúde, Educação e Meio Ambiente; coordenadores de Vigilância Epidemiológica; coordenadores de Educação Ambiental das Diretorias Regionais da Educação; e demais autoridades.

Fonte: Ascom/Semarh

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