Seides e Mapa se reúnem com orgânicos da Cohidro em Canindé

Fotos: Felipe Coringa – Ascom/COHIDRO

Iniciativa técnica da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), de viabilizar o cultivo agroecológico para horticultores do Perímetro Irrigado Califórnia – em Canindé de São Francisco – despertou a atenção da Secretaria de Estado da Inclusão Social (Seides). A Entidade pretende viabilizar duas Feiras da Agricultura Familiar exclusivas para orgânicos, em convênio com a Prefeitura Municipal na capital sergipana e se reuniu, nesta terça-feira, 20, com estes agricultores de Canindé. Encontro que contou também com a presença do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que trata da regulamentação da produção orgânica a nível nacional.

Para que os produtores orgânicos tenham autorização para a venda direta de alimentos agroecológicos, eles necessitam formalizar uma Organização de Controle Social (OCS), grupo que coopera entre si na orientação e fiscalização dos métodos de cultivo e tratos culturais, para garantir um produto livre da adição de aditivos ou defensivos químicos. Formalizado o grupo, aí então cada agricultor é cadastrado pelo Mapa, o qual atesta a OCS, com certificado de registro individual, à venda direta ao consumidor.

André Barretto Pereira, Chefe da Divisão de Política e Desenvolvimento Agropecuário do Mapa em Sergipe e Coordenador da Comissão de Produção Orgânica de Sergipe ( CPOrg-SE), foi em Canindé ver de perto o trabalho de conversão ao cultivo agroecológico desenvolvido pela Cohidro, em visita – que sucedeu a reunião – aos seis lotes dos produtores que formam a recém criada Associação Sergipana de Orgânicos (Bio5). Para ele, estes agricultores estão no caminho certo rumo à formalização e já tem requisitos além do necessário para criar a OCS, ao fundar uma associação de produtores.

“Vim aqui para consolidar a OCS e vi um grupo motivado, organizado e buscando uma melhoria, que agora estão buscando uma forma de legalizar para vender seus produtos como orgânicos.”, relatou André Pereira, que elogiou a organização e mobilização dos produtores, que promovem reuniões e visitas entre si periodicamente. Ele também orientou quanto à regra geral que qualifica os cultivos agroecológicos. ”A legislação determina que deve ter um período de conversão de um ano para verduras e de um ano e meio para frutíferas”, relaciona o Coordenador da CPOrg-SE, sobre o tempo que leva para uma plantação deixar de ser convencional após a suspensão do uso de agroquímicos.

Sônia Loureiro, gerente de Desenvolvimento Agropecuário da Cohidro qualificou como muito importante a visita dos dirigentes do Mapa e anunciou que outros encontros ocorrerão. “A gente tem o trabalho de incentivar, convencer, orientar, levar as alternativas que qualifiquem estes produtores como orgânicos, mas quem atesta é o Ministério da Agricultura que, junto dos próprios integrantes da OCS, também fiscalizam a autenticidade do cultivo orgânico. Esta reunião foi a primeira, mas estão programados outros encontros. Um no perímetro Piauí em Lagarto, no dia 10 de maio e depois se reencontrarão no Jacarecica II em Malhador, com data a ser marcada. Lá os agricultores já tem autorização para venda de orgânicos, mas o Mapa vai vistoriar o andamento dos trabalhos, além deles também serem cadastrados para fornecer seus produtos a nova Feira da Seides”.

Feira da Agricultura Familiar
Técnico do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Dsan) da Seides e coordenador estadual do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA-Frutos da Terra), o engenheiro agrônomo Lucas Aroaldo Dantas Cavalcante esteve nos lotes orgânicos e na reunião com os produtores. A intenção das visitas é a de cadastrar produtores agroecológicos que forneçam regularmente seus produtos nas duas novas Feiras de Agricultura Familiar a serem implantadas pelo Órgão, com previsão de início em junho próximo. Trata-se de um convênio entre a Secretaria e a Prefeitura de Aracaju, que cedeu os espaços físicos no Parque Augusto Franco (Sementeira) e no pátio do Museu do Mangue, localizado no Bairro Coroa do Meio.

“Viemos para estreitar a nossa relação com a Cohidro, com o Mapa e catalogar áreas de produção orgânica. Nossa Feira de Aracaju é de base agroecológica, mas nesses novos locais serão restritas a fornecedores orgânicos e para tal, precisamos de mais produtores catalogados”, enumerou o técnico do Dsan, relacionando a Feira hoje realizada quinzenalmente na sede da Seides, à Rua Santa Luzia, 680, no Bairro São José. Nela já atuam irrigantes orgânicos atendidos pela Cohidro, de Lagarto e Malhador.

O maior entrave na realização das Feiras da Agricultura Familiar, com produtores de outros municípios, é o transporte dos alimentos que é de custo muito elevado, já que se tratam de pequenas produções familiares. Sobre este tema, Lucas Aroaldo também demostrou estar buscando meios de viabilizar a participação dos orgânicos do Perímetro Califórnia. “Vamos tentar criar uma ‘rota solidária’, da mesma forma que acontece nas outras feiras e garantir a logística. Como já existem rotas que atendem Canindé, para levar daqui os produtos convencionais, vamos buscar, pela Seides, parcerias com a Emdagro, Seagri e ‘ONGs’, para atender esta nova demanda”.

A integração, entre as secretarias do Governo em Sergipe, é algo que vem sendo defendido pelo presidente da Cohidro Mardoqueu Bodano. Para ele, a união dos esforços soma força para cumprir as metas e objetivos. “Nós, que somos parte da Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Seagri), sempre pudemos contar com o apoio da Seides, que viabiliza estes espaços, já em 17 municípios, para nossos irrigantes comercializarem sua produção familiar. Da mesma forma que ela também conta conosco, para fornecer assistência técnica e água para irrigação aos produtores e assim ser farta e constante a oferta de alimentos nas suas feiras”.

Bio5
Marli Soares dos Santos Pereira é uma das cinco irrigantes que deram origem à Bio5. Ela foi escolhida pelos seus pares para presidente da associação de produtores orgânicos que acaba de nascer em Canindé e que já começa a agregar mais membros. “Graças a Deus está melhorando cada vez mais, agora vamos trabalhar com tomate orgânico, pois queremos diversificar a forma de venda da gente, com um projeto de oferecer ‘salada pronta’. Temos também uma nova integrante ao grupo, que quer trabalhar com fruticultura orgânica. Vamos melhorando a cada dia o que a gente tem e incluindo mais culturas para conseguir melhor situação de vida”, relata a agricultura, anunciando a aquisição do grupo da produtora Valdice de Jesus Menezes, que já trabalha com a criação de “galinha de capoeira” com fundamentos orgânicos.

Técnico agrícola e servidor da Cohidro, Tito Reis foi a força motivadora para os horticultores do Perímetro Califórnia passarem a ser orgânicos. “Primeiro reunimos aqueles que tinham a intenção de atuar com produção agroecológica, dessa junção, surgiu a ideia da construção de estufas para plantio de mudas, em cada um dos lotes, em regime de mutirão. Hoje eles já estão organizadas em associação e partem para a regulamentação junto ao Mapa, criando a OCS. Isso é só o começo, pois outros agricultores já demonstram interesse de se integrarem ao grupo, com novas ideias, acrescentando a fruticultura, aves e ovos ao nosso cardápio de produtos orgânicos”, finalizou agradecendo o apoio do gerente do perímetro, Edmilson Cordeiro e da equipe técnica os quais não têm medido esforços para ajudar com andamento deste projeto.

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