Seidh incentiva produções orgânicas no Perímetro Califórnia

Marta Leão, o prefeito de Canindé Heleno,o vereador Rildo Joasquim e assessoras.

Com o objetivo de incentivar a produção de alimentos orgânicos no Alto Sertão sergipano, a secretária de Estado da Mulher, Inclusão, Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos, Marta Leão percorreu, esta semana, os municípios de Canindé de São Francisco e Poço Redondo, onde visitou os Projetos de Assentamento Florestan Fernandes e os localizados nos perímetros irrigados Jacaré-Curituba e Califórnia, onde são desenvolvidos trabalhos já expressivos na produção de alimentos livres de agrotóxicos e adubos químicos.

Acompanhada pelo Diretor Estadual do MST pelo Setor de Produção, Manoel Antônio de Oliveira Neto, a secretária pôde conhecer, in loco, a produção agroecológica realizada nas áreas de assentamentos do Alto Sertão. Segundo Manoel, a visita teve como objetivo estimular a produção, que significa a geração de trabalho e renda para os assentamentos, fortalecendo grupos de jovens e de mulheres, e mobilizando in loco o conjunto familiar dos assentados.

“A gente visitou grupos de mulheres que já trabalham a agroecologia com o sistema Mandalla ou com a tecnologia social Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), promovida pelos Ministérios de Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Agrário (MDS e MDA) através da Seidh. A visita também buscou organizar a produção agroecológica, de forma a viabilizar a sua comercialização e mercado, para feiras livres e shopping, dos produtos in natura e agroindustrializados. As lideranças do MST parabenizam a secretária por fazer essa visita e buscar esse contato, para sentir a organização da produção dos assentamentos de reforma agrária”, comentou o líder do MST.

Outro destaque das visitas realizadas foi a Associação Sergipana de Orgânicos (Bio5). Devidamente regulamentada, a Bio5 é autorizada à comercialização dos produtos orgânicos que produz, por meio da venda direta ao consumidor, pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia de Nacional de Abastecimento (Conab), ou do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), gerido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Composta pelos irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia, a Bio5 já está até diversificando a produção, com a introdução da galinha de capoeira criada pelo sistema agroecológico, sob a orientação técnica da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) em Canindé de São Francisco.

Segundo produtores, na concepção agroecológica de produção, o manejo das aves criadas no fundo do quintal já era feito com alimentação baseada em milho, restos de culturas e de frutas produzidas organicamente por uma das integrantes da associação. Na água de beber, ela colocava limão, alho e arruda, para prevenir doenças. E foi nessa experiência exitosa que os demais produtores se espelharam, associando-a à busca de novas tecnologias, para diversificar sua produção.

Estudos feitos pelo grupo mostram que essas aves levam de quatro a cinco meses a mais para crescer até o abate, tempo muito superior ao que leva um frango de granja [até 39 dias], em virtude da utilização de raças melhoradas e de técnicas que priorizam somente o ganho de peso, como aviários climatizados e ração enriquecida com aditivos químicos industriais. Não fazer uso desses recursos resulta numa produção mais saudável, ecologicamente correta e com maior valor agregado. Por si só, a galinha rústica, de quintal, já oferece vantagens popularmente aceitas em relação à de granja comercial, de postura ou de engorda, como o sabor mais acentuado, rigidez, cor e textura.

O movimento tem adquirido tanta força, que surgiu o Projeto B5-Jovem, em julho passado, que visa introduzir os filhos dos agricultores orgânicos no processo produtivo que o grupo já desenvolve. E, entre as atividades desenvolvidas em prol dos seus integrantes, estão cursos de capacitação. Segundo o técnico agrícola da Cohidro, Tito Reis, idealizador do Bio-5, esses cursos têm foco no processo de comercialização dos produtos orgânicos cultivados, e na preparação destes membros familiares em técnicas de venda, conservação, normas de higiene e exposição de produtos, para feiras livres e agroecológicas.

As atividades do B5 Jovem estão se utilizando do espaço do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), uma estrutura instalada no Perímetro Califórnia cedida à Prefeitura de Canindé a partir de convênio com a Cohidro. A intenção dos produtores orgânicos é de utilizar aquela área de 2,2 ha para desenvolver experimentos em adubação orgânica, a partir do plantio de espécies de vegetais leguminosas, visando à recuperação de solos degradados.

De acordo com a secretária Marta Leão, é de extrema importância que o Estado incentive produções desse tipo. “Esses agricultores enfrentam muitas dificuldades na concorrência com os alimentos produzidos de forma tradicional. Então, o Governo de Sergipe estende as duas mãos a estes produtores, oferecendo capacitações, orientações técnicas e abrindo editais, como o que possibilitou a aquisição de um caminhão baú refrigerado pela Associação de Agricultores Orgânicos do Agreste”, concluiu a secretária.

Fonte: Ascom/Seidh