Perímetro da Cohidro recebe projeto de fossas sépticas em Lagarto

agricultores se reuniram na sede da Cohidro em Lagarto

O Sindicato dos trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares (Sintraf) de Lagarto, em reunião realizada no último dia 19, levou a proposta da instalação de fossas sépticas nas residências rurais instaladas na área de atuação do Perímetro Irrigado Piauí, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro). O foco inicial do projeto, que tem a participação do Centro de Referencia em Saúde do Trabalhador (Cerest) e Vigilância Sanitária de Lagarto, são as propriedades orgânicas do pólo de irrigação e uma unidade piloto será construída na Associação de Produtores Rurais.

Fossas sépticas biodigestoras são uma solução adequada às áreas rurais, longe das redes urbanas de esgoto, para o tratamento do esgoto doméstico, de forma a evitar a contaminação do solo e das águas por meio de doenças de veiculação hídrica, um risco inerente ao descarte em fossas escavadas ou sumidouros. Na unidade, instalada na sequência da encanação que sai dos sanitários, são feitas divisões, etapas para a separação de sólidos e líquidos. E a partir da ação de bactérias anaeróbicas, é possível eliminar os agentes contaminantes e ainda extrair um resíduo, que pode ser usado como adubo orgânico.

São aparelhos que podem ser adquiridos por inteiro e prontos para a instalação no subsolo, com diversos modelos disponíveis no mercado de materiais para construção e fabricados com os mais variados materiais, como o concreto pré-moldado ou plástico. Mas também é possível de ser montado artesanalmente usando caixas d’água e tubos de PVC, seguindo a plantas facilmente encontradas na Internet, modelos já ensinados em diversas reportagens de tevê.

Antônio Dantas, vice-presidente do Sintraf, é quem foi apresentar a ideia aos produtores do Piauí. Segundo ele, o Governo da China construiu 4,5 milhões de fossas sépticas e passou a economizar US$ 20 bilhões por ano com a saúde rural, devido à ação. “Quem aplica um real, economiza quatro com a saúde. Foi feito uma pesquisa que duraram 30 anos, onde se constatou que 80% das doenças que levam a pessoa ao hospital, na zona rural, são por causa do esgoto não tratado”, argumentou, acrescentando que “a gente também tem que se preocupar com o meio ambiente que esta sendo poluído”.

Mas a proposta que Antônio Dantas levou vai além dos cuidados com a saúde. “Primeiro vamos mostrar ao trabalhador rural para ver como faz, como funciona. Vamos construir em 12 ou 20 dias uma unidade demonstrativa e queremos uma fossa séptica que transforme dejetos humanos e adubo. Entrei em contado com Instituto Trata Brasil, Universidade Federal de Sergipe (UFS), Ministério Público do Trabalho, Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e prevejo começar com 20 fossas no Perímetro Irrigado. Dessas, como aqui tem 10 agricultores orgânicos, vamos dar a eles a prioridade”, acrescentou, advertindo que a expectativa é de que ideia seja copiada por outros produtores, que desembolsariam em torno de mil à R$ 1,2 mil para construção.

Gilvanete Teixeira, Gerente do Perímetro Piauí, disse que atendeu prontamente ao pedido do Sindicato, quando foi procurada com a proposta aos agricultores. “A gente sabe que é um problema presente em praticamente toda propriedade rural, isso do descarte correto do esgoto, pois estão muito longe da rede das cidades. Se vai eliminar o risco de contaminação das famílias no campo, ótimo. Se estes resíduos são comprovadamente aplicáveis à adubação, melhor ainda. por isso prontamente levei a demanda para direção da Cohidro que atendeu ao pedido de convocar uma reunião com os produtores”, expôs.

O presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano, vê com otimismo a proposta, que considera como um sinal da preocupação que hoje existe com a qualidade de vida no campo. “Antes esquecidos, hoje os pequenos produtores rurais são alvo de muitas políticas públicas dos governos nas três esferas do executivo, como é o caso deste projeto audacioso, onde todos querem contribuir de alguma forma para alavancar a ideia. Uma novidade que, com os recursos aplicados, ajudará muitos e abrirá o interesse de muitos outros que se espelharão, ao ver o projeto aplicado trazendo mais saúde às famílias atendidas primeiro”, prenunciou.

Projeto piloto

Esta primeira unidade demonstrativa se pretende instalar na Associação dos Produtores Rurais do Perímetro Irrigado Piauí (APPIP). Antônio Cirilo de Amorim, presidente da Entidade, assumiu a responsabilidade de abrigar o projeto, visando favorecer a saúde do trabalhador rural e promover a iniciação deste método alternativo de produção de insumos para a agricultura.

“Parece ser muito viável, pelo que a gente assistiu a apresentação do sindicado. Dando certo, a experiência que vão fazer, a gente vai inserir mais produtores. O projeto piloto vai ficar na sede da Associação, um lugar que a gente usa bastante no final de semana para o lazer e tem banheiro. Lá vai ser mais rápido para ver resultado, pelo fluxo de pessoas. Depois desse produto estar pronto, a gente vai fazer analise em laboratório para ver se não há risco de ser aplicado na plantação, antes de qualquer tentativa”, advertiu Antônio Cirilo.

Carlos Sarmento, Coordenador da Vigilância Sanitária Municipal, ligada à SMS, participou da reunião e está colaborando com o projeto, dando ideias ao grupo de como proceder. ”O que a gente preconiza é que seja feito um projeto piloto para a gente avaliar e analisar os efluentes, o lençol freático e para explicar, ao consumidor final, como será isso de usar fezes humanas como adubo, para quebrar paradigmas”, reforçou.

O Coordenador disse não existir uma norma, da Vigilância Sanitária, específica para a forma de construir e onde instalar essas fossas sépticas, mas alerta que quanto ao uso dos resíduos como fertilizante, é necessário ter cautela. “A gente acredita na ideia, acha que é viável, mas a gente precisa seguir algumas normativas. Tem uma normativa de que não pode ser usado em hortaliças, só em culturas longas, por exemplo”, completou Carlos Sarmento, levando como referência o uso do adubo na fruticultura, onde o insumo, depositado ao solo, não teria contato com o alimento.

Representando o Cerest de Lagarto, Udalio Neto também reforçou a necessidade do piloto, embora acredite no potencial do projeto. “O projeto é bom, precisa de estudo. Tem que fazer uma para, com o tempo, ver o resultado”, colocou. Igualmente, ele foi cauteloso quanto ao uso dos resíduos como adubo. “Tem que evitar as hortaliças, só plantação de capim ou culturas maiores. A ideia mesmo é mais para prevenir problemas de saúde pela contaminação pelos dejetos. Os níveis de contaminação por coliformes fecais saem zero, pelo que os estudos apresentados mostraram”, considerou.

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