Indiaroba tem funcionando 3 dos 4 ‘Água para Todos’ a serem implantados pelo Governo do Estado

Benfeitorias do Água para Todos garante a fonte de captação de água própria ao consumo humano, reservatórios e pontos de captação – foto Fernando Augusto (Ascom-Cohidro)

Indiaroba, município do Sul sergipano há 100 km da capital, foi beneficiado com quatro sistemas de abastecimento do programa ‘Água para Todos’. Dos quais, três estão em pleno funcionamento e fornecendo água potável para 624 pessoas. Investimento da União e Governo de Sergipe, via Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), de R$ 730.644,50. Na quarta unidade só resta a ligação do poço à rede elétrica. Ao todo, a primeira etapa contempla 40 povoações rurais do Estado sendo que nestas, 23 já são abastecidas.

Criado em 2011, o ‘Água para Todos’ tem como meta universalizar o acesso à água para 750 mil famílias em todo Brasil. Quem gere o programa é o Ministério da Integração Nacional (MIN) e confia, ao Governo de Sergipe, a gestão no Estado. Aqui serão 107 localidades, em 29 municípios, recebendo água para consumo humano, a um investimento federal de R$ 14,4 milhões, somando à contrapartida estadual de R$ 720 mil. São mais de 5.000 famílias sergipanas beneficiadas com água própria para o consumo humano, residentes em povoações rurais distantes das redes convencionais de distribuição de água e selecionadas a partir de levantamento socioeconômico independente, licitado pela Cohidro.

O programa até agora atendeu em Sergipe 3.752 pessoas, nesses sistemas instalados em povoações rurais de Indiaroba, Santa Luzia do Itanhy, Estância, São Francisco, Barra dos Coqueiros, Divina Pastora, Itaporanga D’ajuda, Japaratuba, Japoatã e Salgado. Em outros povoados destes municípios e também em São Cristóvão, Tomar do Geru, Frei Paulo, Muribeca, Ilha das Flores, Santa do São Francisco, Riachão do Dantas e Siriri, há unidades prontas para começar a fornecer água, restando apenas a ligação à rede elétrica. Segundo o diretor de infraestrutura e Mecanização Agrícola da Cohidro, Paulo Henrique Machado Sobral, o trabalho é realizado em três etapas distintas e tem uma prestação de contas frequente para Brasília.

“Depois do levantamento socioeconômico, que elegeu as localidades atendidas, passamos para a perfuração dos poços e por fim, a instalação, etapa que está sendo feita por empresa licitada. São 22 sistemas em funcionamento, atendendo 23 localidades. Temos outros 14 sistemas (para levar água em 17 povoados) onde somente falta a ligação à rede elétrica (como é o caso do Assentamento Sepé Tiaraju em Indiaroba) para então pôr em funcionamento, com a instalação das bombas de captação de água e, em três deles, dessalinizador”, explicou Paulo Sobral. Ele esclarece que estes equipamentos, por instalar, já foram adquiridos e com isso, somados, são hoje 36 sistemas prontos, para tão logo atender as 40 localidades.

5 de Janeiro

José Wilson Santos Guimarães é presidente da Associação-Cooperativa dos Moradores do Assentamento 5 de Janeiro e também cuida da operação do sistema instalado na localidade de Indiaroba pela Cohidro, atendendo 128 famílias a partir de 12 chafarizes e quatro reservatórios, o principal deles elevado à 30 metros do chão. “Estou ligando a água e distribuindo para o pessoal, são 4 registros, aí tem que ser um dia sim e um dia não. Está bom o serviço, atendendo a necessidade correta. A água é boa, mineral, de Estância para cá, a melhor água é essa”, disse o agricultor que vive da lavoura onde planta macaxeira, goiaba, graviola e laranja.

Como o Assentamento se estende em 4 setores diferentes e neles estão distribuídos os chafarizes, existe tubulações onde os moradores estão fazendo ligações, por conta própria, às residências. Só lá são 60 casas interligadas à rede. Uma delas é a de Rosária dos Santos, trabalhadora rural na colheita de pimenta e no próprio lote, que toma conta junto do marido e de uma das filhas, dos 11 que tem. Sobre a qualidade da água, ela não tem do que reclamar. “Doce, boa. Nós (antes) pegava água ali, nas cisternas. Era boa, mas agora tem em casa, água encanada. Fiz a instalação. A gente bebe, lava uma roupa, cozinha…”, contou.

Assentamento 27 de Outubro

A localidade de Indiaroba tem mais de 80 moradores que vivem da agricultora e da pecuária, praticada em seus lotes de reforma agrária. Um deles é José Francisco dos Santos, que só é elogios à unidade do ‘Água para Todos’ instalada pela Cohidro no assentamento. “A água está muito boa, não tem problema nenhum. Melhorou bastante, estou bem satisfeito”. Sobre a dificuldade anterior ao sistema de abastecimento, o agricultor conta com pesar. “Rapaz a gente ia longe, viajava meia hora de carroça para pegar água. Aí esperava a boa vontade de abrir. Tinha hora marcada para pegar água”, recorda.

Para o diretor-presidente da Cohidro, José Carlos Felizola, o benefício do ‘Água para Todos’, se traduz na persistência do homem do campo. “Levando esta benfeitoria, suprindo uma carência de primeira necessidade, que é a água, é mais um motivo para ele permanecer como um agricultor familiar, trabalhando a terra e gerando o sustendo da família. Somado aos benefícios que Estado e União oferecem via crédito rural; seguro safra; doação de sementes, material forrageiro e ainda, especificamente no caso da nossa Empresa, a construção e recuperação de barragens, são meios de garantir que o êxodo rural não prevaleça, evitando que isso aumente a camada de pobreza nas cidades”, justifica.

Povoado Sítio Novo

A bucólica localidade de Indiaroba, onde vivem 95 habitantes, também recebeu um sistema de abastecimento instalado pela Cohidro com dois chafarizes e dois reservatórios. Lá vive Tiago Elias Filho dos Santos, trabalhando no seu próprio pomar ou colhendo laranja para terceiros. “A água aqui está chegando todo dia, tem um rapaz que liga bomba, sempre que falta, é só ligar para ele, aí ele vem enche a caixa daqui e a da Rua Norte. A gente usa para beber e para cozinhar, porque para lavar roupa tem o riacho e tem o rio lá embaixo também. A qualidade está boa sim, graças a Deus, está boa, está limpinha, água pura. Se for comparar com a que a gente bebia no poço na beira do riacho, essa é de boa qualidade sim”, relatou.