Perfil: Sidrack, mãos de agricultor e alma de empreendedor

Ele trabalha com a fertirrigação, adicionando o adubo ao sistema de distribuição de água para chegar às plantas

Agricultor irrigante do Perímetro Irrigado Califórnia, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), Levi Alves Ribeiro trabalha há 20 anos cultivando alimentos variados, em especial a goiaba, sua maior fonte de renda financeira. Casado com Lucia Vieira Ribeiro e pai de dois filhos, sendo eles Esdras Ribeiro, que é acadêmico no curso de Administração e Eloyr Vieira Santos Ribeira, a caçula da família. Vivem junto ao lote, situado no município de Canindé de São Francisco, 213km da capital.

‘Sidrack’ – apelido que adquiriu quando criança, pela semelhança com o famoso árbitro de futebol Sidrack Marinho – tem uma rotina árdua, que começa ás cinco da manhã e não tem hora para terminar. Ele afirma não se arrepender das escolhas que fez na vida, entre elas a agricultura, definida como a mais importante. Filho de agricultor, de quem seguiu os ensinamentos na produção de alimentos, ele se tornou dono do lote 04 do Califórnia, com 2,50 hectares (ha).

Apesar das dificuldades que todo agricultor enfrenta, principalmente para plantar no Sertão, em seu lote consolidou um pomar com 780 pés de goiabas, atividade que, segundo ele, “hoje é o que coloca comida na mesa da família”. Para isso, a Cohidro foi parceira fundamental no crescimento e fortalecimento da terra, principalmente no fornecimento de água e orientação técnica. Com a assistência da Empresa, a produção de hortaliças – das mudas até o alimento pronto para o consumo – também se estruturou e hoje a venda desses produtos na feira é outra das práticas que garante a renda familiar.

Ele também viu na carência existente por fornecedores de mudas no Califórnia uma oportunidade e investiu na produção. O negócio deu tão certo que quis expandir. “Começamos a observar que o pessoal estava indo buscar mudas em Itabaiana, assim decidi produzir, no meu viveiro, mudas para vender aqui. Compensa financeiramente, tenho um viveiro de 7x26m, mas pretendo construir outro em breve, ainda maior, com 9 metros de largura”, admite Sidrack.

Partindo do conceito da diminuição dos custos com infraestrutura e mão de obra, Sidrack passou a apostar no tomate sem estaqueamento, baseado em variedades mais resistentes às pragas e uso de novas técnicas de produção. “Acho que até o pequeno produtor, tem que estar atento às novidades da tecnologia. Antes, aqui o cultivo era feito sem a irrigação por gotejamento ou fertirrigação, situação em que se tem um trabalho maior para suprir o que a planta requer”, justificou.

Diretor-presidente da Companhia que assiste Sidrack, José Carlos Felizola conta que “andando por todos os perímetros irrigados da Cohidro, é possível conhecer muitas histórias de conquista da autonomia de renda via o trabalho no campo, sob o benefício da irrigação pública do Governo do Estado. Mas há alguns, com Levi Ribeiro, que se sobressaem e viram referência, um exemplo para seguir, levando o trabalho de lidar com a terra além do simples ‘em se plantando tudo dá’. E se os fracassos devem ser usados de exemplo daquilo que não deve ser feito, os bem-sucedidos precisam ser destacados, como um ‘status quo’ para ser alcançado pelos demais”.

Mas quem pensa que o sucesso que o agricultor nessas empreitadas o acomodou, se engana. Agora, produzir alimentos orgânicos se tornou prioridade na vida de Sidrack. E isso se deu, ao ele perceber o aumento da procura de atravessadores. E tudo indica que esta conversão está iniciando em suas estufas, passando agora a produzir mudas para atender a demanda de clientes adeptos à produção sem uso de agrotóxicos.

Outra novidade no lote de Sidrack é o cultivo de uvas. Ele foi um dos dois produtores escolhidos a receber um campo experimental da transferência de tecnologia entre Embrapa e Cohidro. Neste, todo custo é arcado pelo convênio e o agricultor só entra com a terra, água e mão de obra. “Eu acho que é importante esse programa e através do Governo do Estado, é mais uma cultura nova. Com certeza estamos com uma boa expectativa. Temos assistência técnica, que é muito boa, muito responsável através da Cohidro e agora somando com o pessoal da Embrapa”.

O produtor considera que, havendo sucesso com as uvas, não terá dificuldade de escolar a produção. “O mercado é muito espaçoso. Só precisamos trabalhar, produzir e mercado a gente consegue”, confia o produtor que plantou, em 0,5ha, 684 mudas da variedade Isabel em dezembro do ano passado e já está colhendo, mas aguarda dar um ano, das videiras implantadas, para colher a primeira safra em nível comercial.

João Quintialiano da Fonseca Neto, diretor de Irrigação da Cohidro, acompanha de perto a implantação do projeto em Canindé, explicando o objetivo da Companhia. “A intenção não é só favorecer os agricultores diretamente contemplados, como o Sidrack. Se a experiência se mostrar produtiva em seu lote e no do seu colega (José Leidison dos Santos), é a chance de uma nova cultura ser abraçada pelos demais irrigantes e assim favorecer a agricultura local, que quanto mais diversificada, melhor será o preço final dos produtos, oriundos daquele Perímetro Irrigado”, considerou.

Reconhecimento

Professores do Centro Estadual de Educação Profissional Dom José Brandão de Castro, citado no município vizinho de Poço Redondo, já adotaram o lote irrigado de Levi Alves como um ‘laboratório vivo’, uma extensão da sala de aula onde seus alunos para aprender melhor a lidar com a terra e as plantas. O que sugere que Sidrack está no caminho certo e seu trabalho é considerado exemplar, principalmente pelo ‘mix’ de atividades diferentes que ele consegue cultivar dentro de uma mesma propriedade, o ideal e recomendável à Agricultura Familiar.

Para o diretor do Centro de Educação Profissional, Edjenaldo Ferreira dos Santos, o Perímetro Irrigado Califórnia tem muita atividade rural para ser mostrada para os alunos do Curso Técnico em Agropecuária da instituição, mas isso corre “especialmente o lote do senhor Levi Alves Ribeiro, que tem sido um parceiro do nosso Centro, devido a diversificação de culturas implantadas. Abre a possibilidade para o estudo de quase todos os cultivos e disciplinas da área agrícola, tais como: fruticultura, olericultura, irrigação e drenagem, topografia e outras disciplinas”, avalia.