Dia do agrônomo foi comemorado com palestra de Carlos Britto

postado em: Cohidro | 0
Dia do Agrônomo

Agrônomos foram homenageados nesta terça-feira, 13 de outubro, pela Associação de Engenheiros Agrônomos de Sergipe (AEASE) em solenidade que contou com a participação do Secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal dos Santos, representando o Governo Estadual. A solenidade contou com palestra do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres de Britto com o tema “A ética como indutora no combate à corrupção e para o desenvolvimento do Brasil”; seguida da entrega do título de agrônomo do ano ao Engenheiro Luiz Mário Santos.

O Presidente da AEASE, Naum Araújo, disse que o evento tinha o objetivo de comemorar o dia do Engenheiro Agrônomo, 12 de outubro, trazendo um debate fluente e promovendo a celebração entre os profissionais da categoria, parentes e amigos. “Nossa expectativa é de que possamos sair deste encontro congregados e valorizados com a palestra do ministro Carlos Britto e do título de agrônomo 2015 para o Engenheiro Luiz Mário que ao longo dos seus 45 anos de profissão se destacou como pesquisador na área da fruticultura.”

O Secretário Esmeraldo Leal destacou a AEASE como importante parceiro do Estado no debate e proposição de questões voltadas para a agropecuária sergipana. “É como muita alegria que venho trazendo o abraço do governador em exercício Belivaldo Chagas e do governador Jackson Barreto para esta categoria que tanto tem contribuído para o desenvolvimento do estado”.

Ele destacou também que os números positivos na agropecuária sergipana se dá, também, com o trabalho do agrônomo. “Apesar de sermos um estado pequeno, nos orgulha ver que nossa produção e produtividade se destacam em relação a outros estados do Brasil, a exemplo do milho, do arroz, do leite e da laranja. Devo concordar com a música que diz que Deus é sergipano, porque temos aqui todas as condições favoráveis: homens e mulheres que trabalham com muito gosto no campo, um clima ameno em relação a outros do nordeste, uma terra fértil e, além de tudo isso, temos a força e a qualidade profissional e tecnológica dos agrônomos que em muito contribuem para o desenvolvimento de nosso estado. Essa soma de esforços entre os homens e mulheres trabalhadores rurais e o profissionais da agronomia muito nos orgulha, parabéns a todos”, concluiu o secretário.

Palestra com Carlos Britto

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, disse que o Brasil atravessa um período muito difícil e conturbado com uma crise simultaneamente ética, econômica e política. Ele traçou uma retrospectiva histórica para explicar que sofremos consequências da forma que foi feita a colonização Brasileira e comparou o processo de colonização brasileiro com o norte-americano para sustentar as raízes da histórica crise ética brasileira. “Permito-me dizer que os nossos males começam desde a colonização. Nosso processo de ocupação do solo brasileiro não foi virtuoso como o norte-americano. Lá a sociedade chegou antes do Estado, aqui o contrário, o que teve consequências até hoje”.

O ministro conta que tivemos um início de república conturbada. Logo no início até 1930 tivemos uma republica dos coronéis, com aqueles maus costumes da colônia de grandes propriedades rurais, eleição à bico de pena, influência econômica no processo eleitora, entre outros. Logo veio o período Vargas e a tentativa de permanência no poder. A constituição democrática de 1945, mas que era mais no papel do que de fato.

Carlos Britto passou a elogiar o Brasil com a chegada da Constituição de 1988 “que nos últimos anos vem turbinando a cidadania e fortalecendo as instituições”. “O país conseguiu uma Constituição essencialmente democrática, que investiu na sua própria força normativa para resolver coisas importantes, sem mediador”. Ele explicou que à luz dessa Constituição o Poder Legislativo produziu leis exemplares como a Lei da Ficha Limpa, A Lei Anti Corrupção Eleitoral, Lei Maria da Penha, Lei de Acesso à Informação, entre outras. Também à luz dessa Constituição o STF vem tomando medidas saneadoras dos novos costumes e afirmando princípios como o da publicidade, moralidade e impessoalidade.

Ao falar sobre ética Ayres citou o Bispo emérito Dom Pedro Casaldáliga quando disse: “Ética é ter vergonha na cara e amor no coração”. É imprescindível o respeito pelo cidadão, pelo erário, pelas leis, evitar nepotismo e patrimonialismo?. Ele cita ainda a frase do ex-presidente norte-americano Thomas Jefferson: “a arte de governar consiste exclusivamente na arte de ser honesto”. O ministro levou o público a refletir que a moralidade, a honestidade e a ética depende de uma decisão de dentro para fora do indivíduo, e concluiu este ponto dizendo “inteligente é ser honesto”.

Ayres conclui a palestra dizendo que o país reúne condições de superação de suas dificuldades. O maior aspecto, segundo ele, é que temos uma Constituição primorosa que começa a produzir efeitos e a se incorporar no nosso cotidiano “Uma Constituição que nos lega à democracia que é o valor dos valores, o princípio dos princípios”. Outra condição é a criatividade. Ele aconselha dizendo precisamos agora é ser mais propositivos frente aos desafios, e cita o exemplo da Espanha em relação à crise de desemprego. “Lá eles resolveram abrir micro-crédito para a população montar seu próprio negócio. Acredito que sem abrir mão da honestidade, praticando o rigor da penalização podemos usar da nossa criatividade para superar as dificuldades. Esse é o quadro que queria traçar para vocês”, finaliza.

A programação da AEASE seguiu entregando os títulos de engenheiro do ano 2015 ao agrônomo Luiz Mário Santos da Silva, seguido de coquitel. Participaram ainda da programação o reitor da Universidade Federal de Sergipe, Angelo Roberto Antoniolli, o diretor-presidente da Cohidro Mardoqueu Bodano, o Chefe Geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Manoel Moacir, e o representante do Confea, João Bosco Lima.