Orgânicos e meteorologia são foco de visita acadêmica na Cohidro em Lagarto

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Alunos do sexto ano do Colégio Mundial, visitam o Perímetro Irrigado Piauí

Estudantes visitaram o Perímetro Irrigado Piauí, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) em Lagarto, no dia 19. O objetivo era conhecer o processo de cultivo de alimentos orgânicos dos agricultores irrigantes, e a estação meteorológica que auxilia nos trabalhos do pólo de irrigação. São alunos do sexto ano do Colégio Mundial, situado na sede mesmo Município, que foram presenciar na prática muito da teoria aprendida na sala de aula.

Acompanhados por duas professoras e coordenação, os alunos puderam conhecer como é a vida no campo e como alguns alimentos são produzidos. A ideia da visita partiu da professora de Geografia, Débora Rabelo. “Nós juntamos duas matérias, geografia e ciência e escolhemos a Cohidro porque sabemos do seu trabalho importante para a região de Lagarto e também por possuir uma estação meteorológica. Nossas crianças estão aprendendo sobre o clima, e com essa visita eles aprenderam como se usa o termômetro e outros tipos de ferramentas”, explicou a professora.

Hoje responsável pela aferição dos instrumentos da estação meteorológica, o Técnico em Agropecuária da Cohidro, Willian Domingos Silva, guiou a visita dos estudantes, explicando a finalidade de cada equipamento. “Aqui podemos medir a quantidade de chuva que caiu e determinar quando vai voltar a ser necessário irrigar as lavouras. Medindo a insolação, a radiação solar, podemos determinar a quantidade de água e o tempo em que ela deverá ser irrigada nas plantas. Assim como é medida também a taxa de evaporação, para determinar o quanto que será evaporado dessa água aplicada e vai precisar ser compensada, com mais tempo de irrigação ligada”, detalhou.

Segundo o aluno Marcos Wendell, a visita foi muito interessante. “Eu nunca tinha visto algo parecido, agora eu consigo saber como eles medem o clima”, conta o estudante. Pelo fato da maioria da turma ser da cidade urbana, muitos nunca tiveram um grande contato com a aérea rural, a aula alimentou o conhecimento dos alunos apresentando-lhes uma nova realidade, de que elementos compõe a sociedade.

Gilvanete Teixeira, gerente do Perímetro Piauí, comenta que são várias as solicitações de professores e instituições de ensino, para visitações à unidade da Cohidro em Lagarto. “O volume da produção agrícola, que aumenta a cada ano, e a grande variedade de culturas agrícolas que são inseridas nas lavouras dos irrigantes – principalmente quando é um plantio de tratos culturais usando métodos orgânicos – têm chamado muito a atenção da mídia e, consequentemente, da comunidade acadêmica”, defendeu.

Agricultura orgânica

Os estudantes visitaram também o lote irrigado orgânico de João Pacheco, lá eles tiveram contato com o cultivo de hortaliças e puderam conhecer todo o processo de produção agroecológica de alimentos, onde as crianças puderam entender as diferenças entre um produto cultivado com e sem defensivos agrícolas. “Elas nunca tiveram esse contato que estamos tendo agora nessa visita, então, muitos levarão o que aprenderam hoje pra sala de aula, por meio de debates e conversas do dia a dia.É importante mostrar para as crianças de hoje, novos lugares e diferentes formas de se trabalhar” conta a professora Debora.

Dos mais experientes produtores orgânicos do Piauí, João Pacheco garante a procedência dos seus produtos livres de agrotóxicos. Ele e outros 10 produtores formam um Organismo de Controle Social (OCS), que é autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para a venda direta ao consumidor de produtos orgânicos. “Quem oferece na feira um produto orgânico sem ser, logo será descoberto. Eu não vejo problema nenhum em virem visitar minha horta, porque sei que estou trabalhando correto”, destacou.

Essa dedicação à produção orgânica de João Pacheco está rendendo frutos, tanto que recentemente ele investiu R$ 14 mil em enorme telado vermelho, anti-insetos e raios UV, que também retém o impacto da chuva sobre os canteiros, para implementar em sua horta. Outro empreendimento gerado pelo trabalho do produtor irrigante é a construção de um armazém, voltado à comercialização desses produtos orgânicos que cultiva em seu lote. Quem vai tomar conta do “comércio” são os filhos, segundo ele, pensando no futuro dos jovens, trabalhando junto da família.

Presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano diz conhecer várias estórias de sucesso através do trabalho nos perímetros irrigados, como a de Pacheco. Para ele, são exemplos que servem para estimular o trabalho dos servidores e gestores da Empresa. “Significa a ‘grande colheita’ do fruto de nosso trabalho, saber que surte resultado nosso empenho dentro da Companhia e que as políticas públicas, por nós aplicadas, têm resultado”, comentou, agradecendo também a visita dos alunos e professores, “reconhecimento que é outra prova de que estamos no caminho certo”, afirmou.

Mas o que orgulha João Pacheco é mostrar, às visitas, a área coberta por tela, medindo 70 por 30 metros. A grande estufa abriga as culturas que são mais vulneráveis à ação das pragas, como as variedades de Tomate Cereja e Tomate Francês, o Pimentão, o Jiló, a Berinjela, a Alface, a Cenoura, o Repolho e também o Coentro. “Se conseguir ter uma boa produção, sem ser estragado por nenhum inseto como promete fazer o produto, consigo compensar o investimento, economizando principalmente no custo da mão de obra”, justifica o produtor.