Cohidro repõe placas de controle de vazão no Califórnia

Uma placa de controle de vazão normal e uma das versões adulteradas (Foto Ascom-Cohidro)

Procedimento iniciado em dezembro, concluiu em maio a troca e reposição de 80 placas de controle de vazão. O método controla o uso abusivo da água para irrigação, por parte dos agricultores abastecidos pelo Perímetro Califórnia, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) em Canindé de São Francisco, município do Alto Sertão. A ação possibilitou que os irrigantes abastecidos por último, nas adutoras, tivessem o fornecimento regularizado nos setores 06 e 07.

Desde 1992, esta foi a terceira vez que os operários da Empresa fizeram a mobilização para inibir a ação daqueles que adulteram ou eliminam o mecanismo. Todos eles foram notificados extrajudicialmente, mas dois foram reincidentes e tiveram a água cortada por três dias, além de sofrerem denúncia na justiça pelo descumprimento das normas do serviço oferecido pelo Governo do Estado. Segundo o gerente do Califórnia, Edmilson Cordeiro, o problema ocorre quando o agricultor quer fazer a irrigação dos lotes em escala além das especificações técnicas do sistema.

“Quando foi criado o projeto de irrigação Califórnia, a norma era de que cada irrigante usasse até 10 aspersores com vasão de 1,71 m³/h (metros cúbicos por hora) por vez. Seguindo esta regra, todos os lotes receberiam a irrigação de forma igualitária. Mas eles passaram a usar aspersores maiores, com vazão de 2,5 m³/h e em número muito maior. Por isso foi necessário, logo em seguida, a colocação das placas de orifício. Pouco tempo depois nossas equipes se depararam com um novo problema: ação de alguns irrigantes que, por conta própria, aumentavam esse orifício, para poder ter mais vazão, ou seja, ter mais água para irrigar mais rápido do que os vizinhos”, relatou Edmilson.

No percurso que segue uma adutora, em média são 40 saídas de registro cada, atendendo o mesmo número de agricultores. Se a água for usada em demasia no caminho que ela percorre, vai chegar ao seu destino final, o último irrigante, com uma força de vazão insuficiente para acionar os aspersores. Os equipamentos não só esguicham água, como dependem da força motriz dela para girar e atingir um raio de ação. Quanto menos vazão, menor efeito terá a irrigação.

Antônio (do Vale) Ferreira de Oliveira é o último irrigante do Setor 06 do Califórnia. Ele planta quiabo, feijão-de-corda e milho em seus 4,3 hectares (ha) irrigados, mas estava com dificuldades de tocar a lavoura até ocorrer a reposição. “Agora mudou, depois que trocou as placas, melhorou. Aqui sempre teve esse problema, mas resolve depois que os funcionários da Cohidro trocam as placas. Agora tenho como irrigar todo lote. Mas sem as placas, não passava água por aqui”, relatou agricultor, que ainda temo lote em um ponto mais elevado. “A água lá embaixo ‘tava’ sobrando. Eles não se importavam com quem não tem água”.

Diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrário da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto recomenda aos agricultores que levem em conta as especificações dos técnicos dos perímetros ao comprar ou substituir os equipamentos, alertando do risco da água faltar para a agricultura. “Não é o caso de Canindé ainda, mas há perímetros irrigados onde haverá o processo de total troca do sistema para a microaspersão, pensando na disponibilidade de água que atenda igualmente a todos agricultores e principalmente traga economia. Vale lembrar que as reservas de água não são infinitas e se o uso com a irrigação não for otimizado, quando faltar, a prioridade será para o abastecimento humano”, advertiu.

José Carlos Felizola Filho, presidente da Cohidro, está plenamente de acordo com as ações de fiscalização frequentes. “É um sistema de uso coletivo, mantido com dinheiro do Estado, dinheiro dos contribuintes. Logo, o sistema de irrigação dos perímetros não é algo particular, onde quem usa manda na quantidade de água que quer consumir. É falta de consciência com a situação dos vizinhos, companheiros e colegas de atividade. É falta de consciência com o uso da água, o bem mais precioso no Sertão, que é bem o caso de Canindé. Precisa ser consumido de acordo com as normas técnicas recomendadas”, assinalou ele, que anunciou, aos produtores do Califórnia, o inicio das obras de recuperação dos pontos críticos do Canal N1, no perímetro irrigado.

“É uma obra de R$ 199 mil, com recursos oriundos de convênio nosso com o Funerh (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), para complementar as ações de recuperação do Perímetro. Isso foi relatado aos agricultores irrigantes na reunião em que estive com eles, dia 27 (de maio). A intenção é eliminar os pontos de vazamento que podem causar perda de água na estrutura de concreto e assim garantir que ela chegue nas EBs (Estações de Bombeamento) em maior volume”, acrescentou o presidente Felizola.

No Setor 07, a irrigante Lindinalva Ferreira Soto, planta no último lote em que chega a água do Perímetro. São 4,6ha irrigados, onde ela trabalha a terra há 6 anos e 5 meses. “Eu enfrentava problema com a água, mas melhorou depois de trocar as placas. Agora consigo irrigar com os 10 aspersores de uma vez”, afirmou a agricultora que produz quiabo, goiaba, acerola e o feijão-de-corda. Ela assinala que não é a primeira vez que foi necessária a intervenção da Cohidro para regularizar a distribuição. “Teve outra vez, quando cheguei aqui tinham acabado de trocar, mas o pessoal começou a mudar por conta própria e criou de novo o problema. Agora o que falta melhorar, é a reforma das bombas”.

“Existem os recursos do Proinveste para a recuperação das casas de bomba e aquisição de novas bombas para todos os setores do Califórnia, que começam a ser instaladas agora no mês de Junho, conforme informou o Presidente Felizola aos agricultores, em reunião no dia 27 de maio, um total de 36. Quando essas obras ocorrerem, o potencial do perímetro será regularizado, retomando a capacidade de distribuição de quando foi criado,” informa João Quintiliano.

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