Estudantes agroecólogos visitam perímetro irrigado estadual em Lagarto

Estudantes foram ao Perímetro Piaui constatar características socioeconômicas dos agricultores orgânicos – foto Fernando Augusto (Ascom/Cohidro)

Estudantes do curso superior tecnológico em Agroecologia, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS), estiveram quinta-feira, 20, no Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto. No polo de irrigação pública do Governo do Estado os acadêmicos pretendiam avaliar a situação socioeconômica dos agricultores irrigantes que passaram a plantar sem usar agrotóxicos. Tal conversão começou há cerca de 20 anos, por incentivo da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), que opera e administra o sistema.

 

A Professora e Doutora em Geografia, Carmem Lúcia Santos, ministra a disciplina de Sociologia Rural no curso de Agroecologia e por isso considerou importante seus alunos questionarem o que muda na vida do agricultor quando ele passa a cultivar alimentos orgânicos. “Nosso objetivo da visita é conhecer a realidade do Perímetro Irrigado Piauí, vivenciar os conhecimentos técnicos e científicos e confrontar com a realidade dos habitantes da localidade. É uma conciliação da aula teoria com a prática, através da observação dos sistemas produtivos, do diálogo, da conversa com os produtores. Se essas observações, esses sistemas produtivos, atendem as necessidades das comunidades rurais”, explicou.

 

A visita começou no escritório da Cohidro em Lagarto, há 69km de Aracaju. Conduzidos e orientados pelo técnico agrícola e o gerente do Perímetro Piauí, Marcos Emílio Almeida e Gildo Almeida Lima, respectivamente, os alunos conheceram a Estação de Bombeamento 02, que envia água para os lotes irrigados, a Farmácia Viva de Fitoterápicos e a Estação Meteorológica, todos anexos à sede do polo irrigado. De lá, foram conhecer a produção de Edmilson dos Santos, agricultor orgânico há quase 20 anos e integrante de OCS (Organização de Controle Social), grupo de produtores registrados no Ministério da Agricultura e autorizados à venda, direta ao consumidor, destes alimentos.

 

O estudante de Agroecologia do IFS, Ronaldo José dos Santos notou que mesmo tendo produtores do perímetro estabilizados na produção orgânica, não é a opção da maioria. “Embora a gente perceba que a porcentagem, levando em consideração ao número de famílias que produzem aqui no Perímetro, seja muito pequena. A gente acha importante, que se comece a produzir orgânicos para incentivar a produção local. A gente conversou agora com o produtor Edmilson, que embora teve perda nessa transição, ele não se arrepende e isso é importante no ponto de vista consciencial para a produção de orgânicos”, avaliou.

 

Diretor-presidente da Cohidro, José Carlos Felizola reconhece que não seja fácil abandonar a comodidade do plantio convencional, onde a indústria química oferece solução para todo e qualquer problema que venha ocorrer na lavoura. Mas os técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos da Companhia, há tempos incentivam à conversão. “Eles ganham em qualidade de vida, tem mais saúde em parar de lidar e conviver com a aplicação de agrotóxicos. Isso para quem geralmente mora junto da lavoura, é fundamental. Ganha também o meio ambiente, solos e águas sem riscos contaminação. Do ponto de vista econômico, no mínimo o produto orgânico pode ser vendido 40% mais caro e isso é melhora da renda do agricultor”, considera.

 

Hidroponia

Outro tipo de mudança no método de cultivo, a exemplo do orgânico, é a hidroponia, que consiste na agricultura sem o uso de terra para plantar. Em uma estufa, o agricultor do Perímetro e também acadêmico em Agroecologia, Denisson Rosendo, produz cinco variedades alface: Crespa, Lisa, Roxa, Cacheadinha e Americana. A plantas são fixadas em canaletas, onde suas raízes ficam totalmente submersas em solução de água e nutrientes. Esse líquido circula todo um circuito fechado que nutri cada pé, até retornar ao reservatório e ser reaproveitado. Nessa estrutura, de oito metros por 10, ele colhe 950 pés de alface a cada 45 dias.

 

A estudante Larissa Michaelle, fez um comparativo das duas formas de conversão de método agrícola. Para ela, ambos os métodos tem pontos positivos para a realidade do agricultor. “Eu estou achando muito rica a experiência de estar aqui, de poder comparar, de poder vivenciar e o que mais me chamou atenção foi justamente esse cultivo (hidropônico) aqui. Porque a gente vê assim, é muito mais limpo, ele não tem lagarta, não tem a sujeira em si do solo, que já pode trazer alguns patógenos. Apesar de algumas pessoas ainda condenarem, é muito rico. Apesar de ele (Tal) estar usando também a parte agroecológica, a parte orgânica. Achei interessante ele tirar a semente da própria alface pra replantar, achei isso fantástico. Mas se fosse para escolher, optaria pra trabalhar com a da água”, concluiu.

 

Para o diretor de Irrigação da Cohidro, o Engenheiro Agrônomo João Quintiliano da Fonseca Neto, a hidroponia é um procedimento de vanguarda, que elimina o uso em excesso de agroquímicos. “A água que, no processo convencional, se perde infiltrada no solo ou evaporada pela exposição ao sol, nesse sistema é aproveitada inúmeras vezes, até ser consumida pela planta, o que corresponde a um aproveitamento quase que de 100%. Longe do solo, muitos patógenos – principalmente os fúngicos – não vão infectar e adoecer a planta e com isso evita-se o uso de agrotóxicos”, considerou.

 

Atualizado em