Governo do Estado moderniza irrigação pública em Itabaiana

Todos os 592 lotes da Ribeira e do Jacarecica I, estão recebendo kits de irrigação localizada e automatizada, que estabilizarão a distribuição de água, economizando 60% no consumo e reduzindo 50% na conta de eletricidade dos perímetros.

 

Dona Josefa, com ajuda da família, tira o sustendo da lida com o lote irrigado pela Cohidro e agora com irrigação nova e automatizada – foto Ascom Cohidro

Produtores agrícolas atendidos pela  Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) no Perímetro Irrigado da Ribeira, em Itabaiana, já reconhecem a melhoria no sistema de irrigação que a empresa está implantando em todos os lotes. Na sequência, o Jacarecica I será a unidade no mesmo município que vai receber também os microaspersores, mangueiras, tubulações, válvula de controle de pressão, hidrômetro e controlador que automatiza a distribuição de água em cada parcela do lote. Tudo novo, e adquirido pelo Governo do Estado através do Programa Águas de Sergipe (PAS) e financiado pelo Banco Mundial, um investimento de R$ 14.334.110,64.

Dona Josefa Santos Bispo (57 anos), é atendida pela irrigação fornecida pela Ribeira desde o início do perímetro e criou os cinco filhos com o trabalho na lavoura. Faziam 15 dias desde que as equipes da empresa licitada tinham instalado os novos equipamentos em seu lote de 1 hectare (ha). “Estou achando ótimo, não tenho do que reclamar. Planto amendoim, coentro, rama (batata-doce), e está muito boa, não tenho o que reclamar da irrigação. Eu estou com a Cohidro já vai completar 31 anos e só tenho a agradecer, graças a Deus. Não tem como não dar lucro, só se a pessoa não souber trabalhar”, reforçou a agricultora familiar. Hoje, é da plantação irrigada que ela tira o seu sustento e também daqueles que lhe ajudam a tocar a roça: a filha, o genro e o irmão do genro.

Passados esses quase 31 anos, desde que esses perímetros iniciaram a captar água bruta das suas barragens para irrigação dos 592 lotes agrícolas compreendidos nos dois projetos, várias mudanças foram sendo feitas nos equipamentos que cada agricultor dispunha para irrigar, assim como as áreas irrigadas acabaram sofrendo imperceptíveis aumentos de tamanho e mudanças no tipo de uso, já que hoje o que domina é a produção de hortaliças folhosas, exigindo mais água do que as culturas de ciclos mais longos, como a batata-doce, o milho e amendoim, antes mais comuns. E por todos estarem consumindo mais, os lotes mais distantes das estações de bombeamento (EBs) recebiam a água com menos pressão e por menos tempo do que os mais próximos.

Distante 8 km, desde a captação na barragem feita pela EB-01, fica o lote de Genilson (do Burro) Bispo dos Santos. Enquanto os técnicos e operários da Construtora Heca montavam o novo sistema, que vai regularizar a pressão da água em seu e nos lotes dos vizinhos, ele fazia queixa da condição que a irrigação estava até então. “A gente vem sofrendo muito com essa irrigação aí. Dizem que (a mudança) será boa, mas eu não sei ainda porque falta testar, eu só poderei falar quando tiver uma semana de trabalho com ela. Se for que nem me falaram, será muito bom. (O serviço da equipe de instalação) é 1000%, estou gostando demais”, avaliou o produtor. Em seu 1,5 ha de lote irrigado, para ter maior rentabilidade o uso da terra é contínuo, com uma lavoura substituindo a outra sem interrupções, e consumo de água equivalente. “Aqui se planta muitas variedades; batata-doce, amendoim, quiabo, coentro. Quando vemos que a plantação está boa, a gente planta, porque se não o prejuízo é grande”.

Esse gradativo e desigual aumento de demanda de água para irrigação nos perímetros ainda contrasta, no caso da Ribeira, com o compartilhamento do seu reservatório com o consumo humano das cidades vizinhas ao polo irrigado, a partir da captação feita pela Deso. Segundo o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, o projeto sendo executado hoje em Itabaiana era de grande prioridade, para evitar um colapso no serviço prestado à esta população agrícola, que hoje supera o número de 5.500 pessoas que dependem exclusivamente da atividade.

“Já estava sendo frequente a necessidade de racionamento ou da suspensão da água de irrigação, como ocorreu em 2016, quando que até a barragem do Jacarecica I esvaziou. Ou diminuímos urgentemente o consumo da água para agricultura, ou teríamos que conviver com cada vez mais longos períodos de interrupção no fornecimento de água. Seja por termos que dar preferência à captação de água da Deso, que tem a prioridade total no abastecimento humano, ou simplesmente por não ter mais nível útil de água nas barragens, para que as nossas bombas possam fazer a captação”, alerta João Fonseca. O estudo técnico realizado pela sua equipe de engenheiros e que gerou o plano de ação adotado pelo PAS, estipula que a diminuição no consumo de água nos lotes irrigados será de 60%, após todos os kits serem implantados.

Energia elétrica

Outro gargalo que vem dificultando a continuidade do serviço público ofertado aos agricultores é consumo de energia elétrica que aumenta junto com o uso da água. Já neste quesito, o projeto de modernização da irrigação dos perímetros para o PAS, calcula que os novos equipamentos vão trazer uma economia de 50% nos custos com as tarifas elétricas que hoje o Governo do Estado tem com esses perímetros. Para o diretor-presidente da Cohidro, Carlos Fernandes de Melo Neto, os recursos governamentais empregados para esses produtores continuarem irrigando, ainda podem ser menores, fazendo sobrar verbas para serem aplicadas os em outras demandas desse mesmo serviço.

Carlos Melo quer trazer a experiência bem sucedida na Deso para a Cohidro, implementando a automatização das EBs – Foto Ascom Cohidro

“Essa está sendo a maior intervenção realizada em favor de melhorias nesses perímetros desde que eles foram inaugurados em 1987, investimento de quase R$ 28 milhões nesta e em outras ações de modernização, segurança nas barragens e recuperação ambiental, elencadas no programa. Para depois da irrigação ser toda modernizada, a gente já inseriu como uma das ações do ‘Águas de Sergipe’, o projeto básico para licitar a automação do bombeamento e distribuição de água, para ser implementada a irrigação noturna. Um horário alternativo em que a tarifação elétrica é bem menor e ainda consome menos água, já que sem o sol a água evapora menos, dobrando mais água para fazer uma irrigação mais efetiva”, destacou o presidente da Cohidro.

Carlos Melo é engenheiro civil dos quadros da Deso, onde foi também diretor-presidente por mais de 3 anos, trouxe de lá a experiência bem-sucedida de quando implementou a automação das estações de captação de água. Ele faz uma projeção de que a automatização das EBs daCohidro liberará também os funcionários – hoje imbuídos do trabalho de ligar, desligar e monitorar as bombas – para outras operações hoje deficitárias nos perímetros irrigados. “Vamos remanejar recursos e pessoal, investindo mais na manutenção dessas redes e na fiscalização de possíveis abusos no uso da água, eliminando desperdícios e gerando cada vez mais economia”, tenciona o diretor.

Evolução nos métodos de irrigação

“A evolução dos métodos de irrigação de 30 anos atrás para hoje foi enorme, antes utilizava-se a aspersão, com desperdício de água e encharcamento do solo. A pressão era suficiente para 10 aspersores”, esclarece João Fonseca. “Com o novo sistema de microaspersão que tem também válvula reguladora de pressão, injetor de fertilizantes, todo os dois Perímetros estarão trabalhando com menos desperdício de água e menor consumo de energia elétrica e um sistema automatizado que diminui a mão de obra”, complementa o diretor.

“Está muito boa. Eu estava em dúvida no início, o espaçamento antes era ‘mais pouco’, mas agora está aprovado. Estou muito satisfeito”, relata Claudemir Ribeiro dos Santos, após constatar a eficácia da irrigação utilizando microaspersores com distância de 4 metros um do outro. Isso ocorre quando são utilizados desses difusores de aspersão com vazão equivalentes à pressão do sistema, que em cada lote é regulada pela válvula instalada no novo kit. Por ter um quadro de controle automatizado, a irrigação, que é toda fixa, vai ocorrer de forma parcelada e sem a intervenção do trabalhador, molhando todo lote por um igual período de tempo. O agricultor planta quiabo, coentro e batata-doce, no seu lote de quase 2 ha, que de adquiriu há 3 anos.