Do Platô de Neópolis vem quase todo coco verde do estado 3º maior produtor

Procura pelo coco verde é cada vez maior, seja para refrescar os turistas, seja para os adeptos da alimentação saudável – Foto Fernando Augusto (Ascom Cohidro)

Extensão de terra que ocupa um total de 10.312 hectares (ha), sendo 7 mil irrigável por sistemas de bombeamento e distribuição de água via canais, o Platô de Neópolis, que também se estende até o município vizinho de Japoatã, é uma área de exploração agrícola e infraestrutura que pertence ao Governo do Estado. É subdividido em 40 lotes empresariais em regime de concessão, que entre si administram o funcionamento do polo irrigado. Lá, prevalece a atividade da Fruticultura, com a produção de coco em destaque, alcançando 1795 ha e produção que se aproxima de 3,3 milhões de unidades por mês.

Quase 88% da área destinada ao plantio do fruto, no Platô, é ocupada pelo coco verde, que fornece a água de coco. O produto, vendido in natura ou envasado, conquista cada vez mais consumidores, impulsionados pelo turismo das praias nordestinas e pela população cada vez mais adepta à alimentação natural. Saudável, não engorda e é recomendado até na recuperação de pacientes hospitalares. A produção irrigada de Neópolis contribui com quase todo coco produzido em Sergipe, terceiro produtor no ranking nacional, com mais de 230 mil toneladas do fruto em 2016, segundo dados da pesquisa Produção Agrícola Municipal do IBGE.

Um só grupo empresarial concessionário do Platô ocupa 600 ha com os coqueirais e produz 1.000.000 de frutos por mês. Gerente desta área, Cláudio Dinisio Nascimento diz que o coco irrigado é um produto superior ao adquirido em plantações de sequeiro, com bem mais água por unidade. “A irrigação é o essencial, porque sem irrigação a gente não consegue ter essa produção, nem o volume de água por coco que hoje é uma média de 400 a 500 ml e tem coco até com 600 ml. Se não tiver água, o coco fica muito pequeno, um volume de 200 a 300 ml então não vale a pena produzir, não tem viabilidade. Um coco de péssima qualidade de 200, 300 ml não entra no mercado. Não tem viabilidade comercial. Então tem que ter água para irrigar a plantação de coco, água é essencial”, expõe o administrador.

Engenheiro agrônomo da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), Antônio Paulo Feitosa acompanha e fiscaliza a produção agrícola-comercial do Platô de Neópolis. Ele concorda que a alta produtividade se deve à irrigação fornecida pela infraestrutura estadual. “Irrigado, um coqueiro leva só três anos para crescer e começar a produzir. Nessa fase adulta, são de 250 a 300 litros de água/dia por pé, o que equivale de 2 a 3 horas de irrigação. Com este manejo de irrigação, o coqueiro dura mais. São 20 anos produzindo, em média. Como o Platô tem 22 anos desde que entrou em operação, atualmente temos os primeiros coqueiros plantados no início do projeto sendo substituídos por novos pés, que já iniciaram produção, a segunda geração”.

Cohidro
A Cohidro é a empresa estatal a quem pertence o patrimônio utilizado pelos concessionários do Platô. Ela desempenha a função fiscalizatória, quanto à execução dos contratos que os empresários têm com o Estado, a consumação da atividade produtiva e a geração de empregos, e ainda a garantia da preservação das áreas de proteção permanente (APP), em cada lote. Presidente da Companhia, Jorge Kleber Soares Lima, estabelece que em Neópolis a infraestrutura pública é explorada de modo diferente do aplicado aos perímetros irrigados.

“Primeiramente, o foco do Platô de Neópolis é a excelência em produtividade a partir da exploração da água do Rio São Francisco e isso exige alto grau de investimento técnico e de custeio mensal no bombeamento para irrigação. Um custo que seria oneroso para o Estado manter, como ocorre nos nossos outros perímetros. Essa elevada produção, de aproximadamente 570 mil toneladas anuais, gera divisas à Sergipe e ao Brasil, sendo parte exportada para outros países. Há certamente um reflexo imediato na economia local, pois nesses dois municípios abrangidos, são gerados 3.500 empregos diretos”, expôs Jorge Kleber.

Geovane dos Santos é um dos 120 funcionários que trabalham sob a gerência de Cláudio Dinisio no processo de colheita dos cocos verdes no pé, atividade que ocorre todos os dias nas plantações. A alta produtividade dos coqueirais quando somada ao mercado promissor, como grande procura pela água de coco, cria também terreno para melhores rendimentos aos trabalhadores. Nessa empresa, por exemplo, tem sido possível de até prover um décimo quarto salário anual aos operários. “Significa muito, porque é o sustento de minha família. O que eu ganho aqui é para manter a minha família”, considerou Geovane.

Diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, considera o modelo adotado no Platô de Neópolis o mais apropriado para a gestão dos perímetros públicos de irrigação. “O Estado delega aos produtores o papel de administrar e de autogerir o Projeto de Irrigação. Isso é possível no Platô em função das áreas de produção serem maiores, culturas comercialmente mais rentáveis, a exemplo da fruticultura, e serem organizados em uma associação, a Ascondir (Associação dos Concessionários do Distrito de Irrigação do Platô de Neópolis). Os produtores arcam com todos os custos de operação e manutenção do projeto, bem como pagam anualmente a ‘taxa de concessão de uso’ à Cohidro, conforme o estabelecido nos contratos”, esclarece.  

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